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sexta-feira, 8 de junho de 2012

domingo, 16 de janeiro de 2011

"A DEVIDA COMÉDIA" - Será mesmo assim?!...

Por estes dias houve um amigo, daqueles com quem troco uns "mails", que me ajudam a perceber o que se passa em meu redor, me remeteu o que aqui vos deixo e me deixou deveras pensativo e preocupado, para quem como eu sempre valorizou as "juventudes" e sempre acreditou que foram os "homens de amanhã", em todos os tempos, a transformar o mundo para melhor, partilhando e desenvolvendo novas ideias e novos saberes.
Pergunto: Será mesmo assim?!...
Estaremos a contribuir para que assim seja?!...
Ainda estaremos, pais, avós, familiares, professores, a tempo de emendar a mão?!...
Aos meus leitores deixo o desafio: Façam uma análise ao vosso comportamento, ao papel que têm desempenhado na educação do vosso filho, neto, educando e verifiquem qual o sentido da vossa actuação!...
Eu já fiz a minha e não estou muito certo que sempre tenha seguido o melhor caminho.
Está na altura de corrigir o que é passível de corrigir.
Ao contrário do que possam pensar, os nossos filhos, netos, educandos, agradecer-nos-ão um dia...

O texto intitulado "A DEVIDA COMÉDIA" parece ser da autoria do jornalista da Visão, Miguel Carvalho.

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Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

Artigo publicado na revista VISÂO online
 
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Inovação - 'TurmaMais' reduz em um terço o insucesso escolar

Um destaque para Estremoz, pelo qual todos temos que nos congratular, em especial, a comunidade escolar de Estremoz.

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Inovação

'TurmaMais' reduz em um terço o insucesso escolar

por PATRÍCIA JESUS (DN Online) 2010/08/06


Projecto conseguiu diminuir retenções em 60 das 65 escolas onde foi aplicado.

Durante o ano passado todos os alunos do 7.º ano da escola Lima de Freitas, em Setúbal, passaram por uma turma a mais - primeiro os melhores, depois aqueles com mais dificuldades e em seguida os de nível médio.

O projecto tem como objectivo reduzir o insucesso escolar e os resultados "superaram as expectativas", diz a directora adjunta Eduarda Fidalgo - ou seja, fizeram cair em mais de um terço as retenções no 7.º ano. O mesmo se passou em 60 das 65 escolas que este ano aplicaram o modelo "TurmaMais".

Os dados foram avançados ao DN pelo coordenador do projecto, José Verdasca. No início do ano, o modelo - desenvolvido na escola secundária rainha Santa Isabel, em Estremoz, desde 2002 - foi alargado a 65 escolas. O "contrato" que assinaram com o ministério implicava conseguirem reduzir os chumbos em pelo menos um terço, por comparação com os quatro anos anteriores.

E "a grande maioria conseguiu", assegura José Verdasca.

Como é que funciona o "TurmaMais"? A escola cria literalmente uma turma a mais no ano em que aplica o modelo. Ou seja, na escola Lima de Freitas, por exemplo, foi criada uma sexta turma no 7.º ano, por onde passaram os alunos das outras cinco.

No início do ano, durante seis semanas, a "TurmaMais" é ocupada pelos melhores alunos. "Os pais e os miúdos reagiram muito bem, gostaram da ideia", garante a professora Eduarda Fidalgo.

O facto de a turma extra começar com os melhores alunos permite "desmistificar a ideia de que é para os maus", indica a professora Elsa Santos, que coordenou o projecto na escola José Afonso, no Seixal (ver caixa).

E puxar por eles de forma mais adequada aos seus conhecimentos e capacidades.

Enquanto isso, nas turmas originais, os professores também têm oportunidade de prestar mais atenção aos restantes alunos.

"As turmas acabam por ficar mais pequenas e mais homogéneas", explica Elsa Santos.

Nas seis semanas seguintes são os alunos com mais dificuldades que passam pela "TurmaMais", onde são aplicados planos de recuperação.

Seguem-se os estudantes de nível médio - os de 4 e 3 (no básico as classificações vão do 1 ao 5). E no terceiro período são convidados a participar aqueles que estão em risco de chumbar e mostram vontade de recuperar.

Na maior parte das escolas este modelo foi aplicado ao 7.º ano e em algumas no 5.º, por serem anos de mudança de ciclo, marcados por elevados números de insucesso.

E muitas usaram um modelo simplificado, explica José Verdasca. Ou seja, só "para as disciplinas mais críticas, como Matemática e Português".

Na escola de Estremoz onde o projecto foi desenvolvido, com o apoio da Universidade de Évora, era usado para todas.

Mesmo assim o s resultados são muito positivos, considera o coordenador, que e é também director regional de Educação do Alentejo.

No entanto, as escolas que não atingiram as metas acordadas são excluídas do programa.

O DN falou com um professor de um desses estabelecimentos, que lamenta não terem mais tempo para desenvolver o projecto. "Há um caminho que tem de ser percorrido dos dois lados e este projecto faz com que seja mais fácil para os alunos fazerem esse caminho, mas eles têm que fazer a parte deles.

E tivemos um grupo muito complicado, muito hostil a qualquer tipo de solução", explica.

Mas o professor reconhece potencial a este modelo. "No balanço que fizemos com os alunos, aqueles que tinham mais dificuldades salientaram que, pela primeira vez, conseguiam participar nas aulas.

Nas turmas de origem, os melhores alunos antecipam-se a responder às perguntas e eles têm vergonha de pôr dúvidas ou de dizer que não perceberam."

Há outras iniciativas do género a decorrer nas escolas de norte a sul do País, no âmbito do programa Mais Sucesso, que envolveu cerca de 12 mil alunos no último ano (ver caixa em cima).

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